10/ JANEIRO

Em um futuro próximo, Advogados não utilizarão mais processos físicos

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Como diria Henry Ford (1863-1947), “o passado serve para evidenciar as nossas falhas e nos dar indicações para o progresso do futuro”. Isso é fato! Independentemente de ser um nativo digital ou não, a realidade é que a tecnologia nos trouxe novos hábitos, costumes e estilos de vida. Não é à toa que as novidades tecnológicas atingem – em cheio – todas as profissões, e como não poderia deixar de ser, a advocacia.

Neste sentido, o VP de Desenvolvimento de Mercados e Soluções para o Judiciário da Seal Telecom, Alexandre Novakoski, analisa o cenário em entrevista exclusiva à Advocacia Digital. O especialista foi um dos palestrantes do Conip Judiciário & Controle em 2017, onde apresentou o tema “Audiências do futuro: a tecnologia auxiliando a agilizar a atividade fim dos tribunais brasileiros”.

Podemos considerar que os tribunais brasileiros estão em nível “satisfatório” na área de Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC?

Sim, os tribunais brasileiros estão bem equipados, mas como existe uma grande entrada de processos e uma pequena finalização destes, existe um grande desafio a superar que é esta disparidade entre entrada de processos e sua finalização.

Quais são os maiores gargalos para o aperfeiçoamento da área?
Acredito que a grande maioria das pessoas que compõem o Judiciário está envolvida e comprometida em fazer com que a máquina seja mais eficiente. Mas ainda existem barreiras nas formas tradicionais de julgamento com os ritos processuais que ainda não conseguiram dar lugar a videoconferência, a gravação digital de audiências e aos processos eletrônicos, alternativas modernas e tecnológicas que podem agilizar no aperfeiçoamento do judiciário.

A seu ver os tribunais devem buscar alternativas para fornecer as ferramentas tecnológicas que proporcionem uma prestação jurídica mais rápida, eficiente e de melhor qualidade?
A tecnologia da informação existe para ajudar as pessoas e permitir que tenham mais tempo para usar a sua grande inteligência na resolução de problemas complexos e a ter uma melhor qualidade de vida. Este é um caminho sem volta. Todos nós devemos entender que sempre existe uma forma melhor de se fazer algo. Acredito que se tudo for mais transparente, mais ágil e com resultados mais rápidos, o sistema funcionará melhor. Meu papel como designer é o de pensar, pesquisar e indicar caminhos melhores para que todos sejam mais produtivos e eficazes na resolução de desafios.

O trabalho “home office” vem ganhando força com o avanço do processo eletrônico. Qual sua opinião sobre esta realidade?
Acredito muito no trabalho em home office, eu mesmo estou na Seal Telecom há 11 anos e utilizo o meu home office em 50% do meu tempo. A tecnologia existe para que possamos estar em todos os lugares simultaneamente. No judiciário isso não é diferente. Para que ter um custo de infraestrutura de escritório sendo que você poderia ter acesso a documentos online e trabalhar nestes processos de sua casa? A produtividade é muito grande e a qualidade de vida é melhor. Para quem tem receios quanto ao monitoramento, se alguém esta fazendo o seu trabalho, existem sistemas tecnológicos para gerenciamento de tarefas online. Todas as atividades de trabalho podem ser monitoradas à distância.

Passando para o processo digital, a tramitação dos processos judiciais é mais rápida e segura, além de reduzir custos com o arquivamento?
Em um futuro muito próximo não utilizaremos mais papel. Isso é extraordinário para o meio ambiente, para a sociedade, para os tribunais e empresas. Talvez para a indústria da burocracia não será, mas é uma evolução necessária que não terá retrocesso. Imagine quanto espaço, economia e acesso será gerado?

O fim da necessidade de transportar documentos a clientes e fóruns pode ser considerado um imenso benefício para os escritórios de advocacia de todo o país?
Vivemos na era do conhecimento e conhecimento passa pelo acesso a informação. Todos ganham nesta evolução. Para mim este é o objetivo da tecnologia. Fazer com que todos ganhem.

Quando a seu ver o sistema judicial brasileiro poderá trabalhar apenas com processos digitalizados?
Existe um caminho a trilhar e barreiras a quebrar, mas acredito que em 10 anos seremos um dos sistemas mais modernos do mundo. Creio também que as empresas de tecnologia podem ajudar facilitando o acesso e reduzindo custos para que todos os tribunais tenham condições de se modernizar. Na Seal Telecom esta é nossa meta. Queremos estar em todos os tribunais ajudando na modernização através de alta tecnologia
acessível.

Importante salientar que nem todos os tribunais brasileiros estão, de fato, informatizados, inclusive, a lentidão na tramitação de processos judiciais nas Cortes de todo País ainda é um problema que gera graves consequências a todos os profissionais do Direito. Para juízes e promotores o cenário é o mesmo, uma vez que a demora no julgamento dos processos gera descrédito com relação à própria Justiça por parte da sociedade.

Alexandre Novakoski, VP de Desenvolvimento de Mercados e Soluções para o Judiciário da Seal Telecom

Fonte: http://www.certisignexplica.com.br/em-um-futuro-proximo-advogados-nao-utilizarao-mais-processos-fisicos/

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